sexta-feira, março 12, 2004

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Bruno Bela Vista às 07:42
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domingo, março 07, 2004

Fim de Carnaval e Começo de Quaresma... maldito calendário cristão. dias daqueles. Pelo menos a Leiteria está de cara nova e como disse um amigo: - Traz uma pra mim. NA MEDIDA! Eu tenho um problema com leite, com uns 5 anos resolvi nunca mais tomar, uma obssessão daquelas, como esses dias. Mas para um Milk Plus Vellocet faço uma força, a mesma que faço para não sucumbir a UltraViolência.

É muito difícil não sucumbir a ultraviolência aqui na província Cuiabá. Por exemplo, quando um mendigo tenta roubar a fiação de luz do seu escritório e isso queima todos os seus computadores é um momento propício para sucumbir, ainda mais quando um policial com estigma de pai diz para o mendigo: - Ah... vc gosta de fio. Então agora vai aprender a não roubar mais fio.

Era perfeito demais, meu tânatos satisfeito sem eu sujar minha humanidade. mas essa mesma humanidade nao me deixou deixar o policial bater no mendigo. A PM de MT é uma das recordistas em torturas e eu não ia colaborar com mais essa estatística. Surto de humanismo. Somos cheios disso.

Aí outro dia eu vi uma família fuçando o lixo, isso mesmo fuçando. Eram uma mulher, um garoto mais velho, um menor que parecia ter algum problema mental e uma criancinha no colo da mãe. Esse que parecia ter um problema mental achou no lixo um brinquedinho, que deu a sua irmazinha, e uma lata de Baygon.

Eu caminhava pensando em conflitos de cunho sentimental e mais algumas baboseiras, fumava um cigarro que acabara de 'cerrar' de um transeunte. Ao ver essa cena acreditei que a mãe diria para o garoto soltar a lata mas ela não fez nada, eu pensei: - Oh... ela nem deve se ligar que é veneno. Aí falei para ela que aquilo era veneno e ela mandou o garoto largar. Alguns metros depois já estava pensando nos MEUS conflitos. Como nós somos frios. Sofremos de um humanismo muito deturpado, pois a violência do PM contra o mendigo não é um terço menos pior que a violência que essa família sofre. Não que eu deveria deixar o mendigo apanhar, mas nós criamos uma resistencia, ou melhor, uma tolerância às violências sociais.

Acredito que isso é, em parte, devido ao direcionamento cristao da nossa sociedade. Humanista mas nem tanto, na verdade cristão mas nem tanto. Por alguns momentos queria ter visto aquele mendigo apanhar, assim como queria ajudar a família fodida. E sou agnóstico (ou ateu?).

Aos poucos vou tentar fazer a parte que me cabe nessa grande transformação sócio-cultural.

Depois de ver a família fuçar o lixo, alguns metros mais a frente vi um fato que transgride brutalmente esse direcionamento cristão da sociedade cuiabana. Ouvi uns urros e quando olho para a praça em frente a Igreja do Bom Despacho tina um cara e um traveco trepando na praça. Lá pela meia-noite. Devia ser o ultimo dia do carnaval e isso foi um tanto cômico, chocante e excitante.

Seria o traveco Daniscley, tentando sugar mais alguém?


Bruno Bela Vista às 08:59
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LARANJA MECÂNICA EM PORTUGUÊS, oh meus irmãos